Review: Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok Confirma Por Que Foi o Jogo de 2024

Pixel & Lore··11 min de leitura

Resumo

Endless Ragnarok, a expansão de Granblue Fantasy: Relink, aprofunda o endgame com o modo roguelite Conflux, seis personagens novos e o sistema de especialização Master Traits. Não reinventa o jogo, mas não precisava: o loop que já era o ponto mais forte de Relink ficou ainda mais profundo. Nota 95. Com o lançamento simultâneo para Nintendo Switch 2 e o patch de PS5 Pro, também nunca foi tão fácil jogar em qualquer tela.

Personagens de Granblue Fantasy: Relink em combate contra um chefe na expansão Endless Ragnarok
95/ 100
ReviewEssencial

Action RPG · Cygames / Cygames

PC (incluindo Steam Deck), PS5 / PS5 Pro, PS4, Nintendo Switch 2 · 2026

Narrativa e Ambientação20%
Jogabilidade e Mecânicas20%
Direção de Arte15%
Sound Design15%
Replay / Custo-benefício15%
Performance Técnica15%

Em 2024, elegi Granblue Fantasy: Relink como meu jogo do ano. Não foi uma escolha de lançamento, feita no calor do hype antes de a poeira baixar. Foi uma conclusão que se sustentou depois de centenas de horas de jogo, em mais de uma plataforma, ao longo de dois anos, e que sobreviveu inclusive à tentação de trocar de favorito a cada ano seguinte. Poucos jogos me deixam com vontade genuína de recomeçar do zero numa plataforma diferente só para sentir a experiência de novo. Endless Ragnarok, a nova expansão, não só reacendeu essa vontade como veio acompanhada de uma notícia que muda a conversa: um patch para PS5 Pro que finalmente resolve o problema técnico que mais me incomodou desde o lançamento, e um lançamento simultâneo para Nintendo Switch 2 que abre a franquia para um público que nunca teve acesso a ela antes.

Aviso: esta análise cobre o conteúdo de endgame da expansão sem revelar detalhes centrais da campanha nova.

Narrativa e Ambientação: O Clichê Bem Executado

A história de Granblue Fantasy: Relink não foge da gramática clássica de shonen e JRPG. Força da amizade, protagonista confiante, uma figura em perigo que precisa ser resgatada de uma ameaça que se revela maior do que parecia no início. Sei reconhecer o clichê quando vejo, e não vou fingir que Relink inventa alguma coisa nova nesse departamento. O que me fez perdoar a previsibilidade, e é raro eu perdoar isso, foi a execução: modelagem de personagem de altíssimo nível, dublagem consistente do primeiro ao último capítulo e cutscenes que tratam até os momentos mais óbvios do roteiro com um peso dramático que eu não esperava sentir.

Vale reforçar um ponto que a crítica às vezes erra ao avaliar Relink: o modo campanha não é o foco do jogo, mas está longe de ser um apêndice descartável. A variedade de cenários é grande, a duração é relevante para o estilo, e o jogo entrega o suficiente para satisfazer completamente quem joga de forma mais casual e nunca chega a tocar no endgame. O maior destaque dessa parte da experiência, pra mim, são as lutas de chefe: encontros extremamente criativos, com mecânicas próprias que forçam leitura de padrão em vez de repetição de combo. Lembro de sair de mais de uma dessas lutas soltando um palavrão de admiração antes mesmo do resultado da batalha aparecer na tela, porque o encontro em si já tinha valido o tempo investido, independente de vitória ou derrota.

Jogabilidade e Mecânicas: Onde o Jogo Realmente Vive

Se a narrativa é o convite, o endgame é a casa onde Relink de fato mora, e é aqui que a experiência atinge o nível mais alto. O elenco de personagens jogáveis, ampliado por Endless Ragnarok com seis novas adições, entrega movesets genuinamente distintos entre si, o que transforma a simples escolha de time em uma decisão estratégica antes mesmo da missão começar. Montar uma equipe, testar builds diferentes e sentir o impacto real dessas escolhas em combate é, sem exagero, o argumento mais forte do jogo inteiro.

O que Endless Ragnarok faz de mais interessante mecanicamente é o sistema de Master Traits, que só se abre depois que um personagem bate o nível máximo, o que já funciona como uma recompensa simbólica para quem investiu tempo real de progressão. A partir daí, cada personagem escolhe entre três caminhos de especialização, batizados de Insight, Essence e Crux, e a graça está em como esses caminhos conversam com o que já era único em cada lutador. Personagens novos como Beatrix têm o combate inteiro girando em torno de um mecanismo próprio, o chamado Delta Clock, que concede bônus conforme o timing dos ataques e a porcentagem de vida atual, o que na prática recompensa jogar arriscado, ficando de vida baixa de propósito para ativar um buff de dano. Eustace segue outra lógica inteira, construída em cima de níveis de carga que mudam o comportamento dos golpes conforme se acumulam. É o tipo de profundidade que só aparece quando o estúdio já testou o suficiente pra saber que pode complicar sem quebrar.

O sistema de summons também foi reformulado, e agora é possível equipar summons e invocá-los em combate com uma mecânica nova chamada Primal Burst, que permite assumir o controle direto do monstro invocado por um período. Isso muda o ritmo de uma luta de chefe de um jeito que descrição nenhuma faz justiça: você passa de observar um aliado gigante bater num inimigo pra literalmente vestir a pele dele por alguns segundos, e decidir sozinho o que fazer com aquele poder.

A estrutura de missões varia entre formatos como defesa de torre, combates de chefe isolados e uma série de outras condições específicas que mudam o tipo de recompensa obtida ao final. O ciclo é simples de descrever e viciante de executar: escolher a missão certa para o item que se quer, cumprir as condições impostas, voltar à cidade, evoluir personagem e arma, repetir com um objetivo levemente diferente. Endless Ragnarok injeta uma sobrevida importante nesse ciclo com o Conflux, um modo solo roguelite que reorganiza os desafios de forma imprevisível a cada tentativa, obrigando a repensar a build no meio da run em vez de repetir a mesma equipe otimizada de sempre.

O modo online é funcional e vale a pena experimentar, principalmente para quem tem amigos disponíveis para formar grupo. Mas no meu caso, joguei cerca de 90% do tempo totalmente offline, e o jogo como um todo pode ser jogado assim do início ao fim, sem que isso custe uma vírgula de conteúdo ou de progressão. Um Action RPG de loop pensado para grupo que também sustenta uma experiência solo completa, sem sensação de estar perdendo algo por jogar sozinho, é mais raro do que parece.

Direção de Arte e Sound Design: Nota Máxima Onde Importa

A direção de arte de Relink está no nível mais alto que o gênero produz atualmente. Modelagem de personagem, cenários e direção visual geral entregam uma experiência genuinamente prazerosa para os olhos, do tipo que se sustenta cena após cena sem cansar. Não existe ressalva relevante a fazer aqui: é um trabalho de excelência do primeiro ao último capítulo, e a expansão mantém esse padrão sem qualquer queda perceptível de qualidade nos cenários e personagens novos.

O sound design acompanha esse nível com uma trilha sonora consistente com o tom do jogo e com o trabalho das demais frentes de produção. Não é o elemento que mais chama atenção isoladamente, mas cumpre exatamente o papel que precisa cumprir: reforçar a escala das lutas de chefe e sustentar o clima nos momentos mais tranquilos do loop de endgame, sem nunca soar repetitiva ao longo de dezenas de horas.

Performance Técnica e Fator Replay: A Jornada Entre Plataformas

Aqui está o capítulo mais interessante da história de Relink em 2026, e ele começa com um problema real que eu senti na pele. No lançamento de 2024, a versão de PS5 tinha um modo performance com resolução baixa e visivelmente borrada, e o modo gráfico, apesar de mais nítido, rodava a 30fps num jogo extremamente dinâmico, o que comprometia a sensação de resposta que o combate pede. Joguei pouco nessa configuração porque simplesmente não gostei da experiência. Migrei para o PC, onde consegui unir os dois mundos que o PS5 me obrigava a escolher entre um e outro: 120fps e resolução 2K ao mesmo tempo, sem sacrificar nitidez por fluidez ou o contrário. Alguns capítulos eu joguei no Steam Deck, que também segurou bem, sem chegar aos 60fps, mas mantendo uma média estável de cerca de 40fps que já bastava para o ritmo do jogo.

O que muda tudo agora é o patch para PS5 Pro, lançado junto com Endless Ragnarok e disponível também via PS Plus para o jogo base. Pela primeira vez, a versão de console entrega 4K a 60fps de forma estável, o que transforma a experiência de PS5 Pro na melhor forma de jogar Relink em qualquer console até hoje. Gostei tanto do resultado que recomecei o jogo do zero nessa versão, mesmo já tendo zerado a campanha e boa parte do endgame no PC, só para sentir a diferença. Poucas vezes um patch me deu vontade de repetir uma experiência inteira assim.

A outra novidade de plataforma é a estreia da franquia no Nintendo Switch 2, que chegou junto com Endless Ragnarok e uma demo disponível antes mesmo do lançamento completo. Testei a demo no modo portátil e o resultado me surpreendeu: o jogo roda a 30fps, abaixo do padrão das outras versões, mas de forma estável e satisfatória o suficiente para não atrapalhar a leitura dos combates. É uma porta de entrada nova para um público que nunca teve acesso à franquia fora de PlayStation e PC, e isso importa tanto quanto qualquer patch técnico: mais gente jogando Relink é bom para o jogo e para a comunidade em volta dele.

O fator replay, por sua vez, é onde Endless Ragnarok justifica sua existência com mais clareza. O loop de missões já era, por si só, motivo suficiente para voltar ao jogo depois de zerar a campanha. Com o Conflux, os novos personagens, o sistema de Master Traits e agora a possibilidade de recomeçar em plataformas diferentes só para comparar a experiência, esse motivo se multiplica. Poucos jogos provocam esse tipo de vontade genuína de repetição total, e Relink com Endless Ragnarok é claramente um deles, pelo menos comigo funcionou assim.

Veredicto

Endless Ragnarok não reinventa Granblue Fantasy: Relink, e não precisa. Aprofunda exatamente o que já era o ponto mais forte do jogo, o loop de endgame, com conteúdo novo que respeita quem chegou até aqui investindo tempo real nos personagens e builds. A narrativa continua sendo o elemento mais convencional do pacote, mas nunca foi essa a proposta central da experiência. Onde importa, jogabilidade, direção de arte, replay e agora também performance técnica em qualquer plataforma, incluindo a estreia no Nintendo Switch 2, Relink entrega em nível de obra essencial. Continua sendo, de longe, meu jogo favorito dos últimos anos.

95/100

Perguntas frequentes

Vale a pena comprar Granblue Fantasy: Relink - Endless Ragnarok?

Sim, especialmente para quem já jogou e gostou do loop de endgame do jogo base. A expansão custa US$ 29,99 como upgrade kit para quem já possui Relink, ou US$ 59,99 num bundle completo para quem está chegando agora, inclusive na estreia da franquia no Nintendo Switch 2. Quem achou o jogo base repetitivo dificilmente vai mudar de ideia com o conteúdo adicional.

Granblue Fantasy: Relink tem versão para Nintendo Switch 2?

Sim. Endless Ragnarok marcou a estreia da franquia fora de PlayStation e PC, chegando ao Nintendo Switch 2 no mesmo dia do lançamento nas demais plataformas, com uma demo disponível antes mesmo do lançamento completo. No modo portátil o jogo roda a 30fps, abaixo do padrão de PC e PS5 Pro, mas com uma experiência satisfatória para quem quer jogar fora de casa.

É possível jogar Granblue Fantasy: Relink totalmente offline?

Sim, o jogo inteiro pode ser jogado 100% offline, incluindo a campanha e todo o loop de endgame. O modo online existe e funciona bem para quem tem grupo, mas não é obrigatório em nenhum momento da experiência.

Qual a melhor plataforma para jogar Granblue Fantasy: Relink em 2026?

Depende do que se busca. O PC continua entregando a experiência mais completa, com 120fps em resolução 2K. O PS5 Pro, após o patch lançado junto com Endless Ragnarok, passou a rodar em 4K a 60fps e hoje é a melhor experiência de console fixo. O Steam Deck sustenta cerca de 40fps de forma estável, e o Nintendo Switch 2 roda a 30fps no modo portátil, ambos satisfatórios para quem prioriza mobilidade.

Preciso ter zerado Granblue Fantasy: Relink para jogar Endless Ragnarok?

Boa parte do conteúdo da expansão pressupõe ter avançado pelo endgame do jogo base e evoluído os personagens principais, já que o sistema de Master Traits só se abre depois que um personagem atinge o nível máximo. É possível recomeçar do zero, mas o conteúdo novo é pensado para quem já investiu tempo no jogo original.

O que muda no endgame de Granblue Fantasy: Relink com Endless Ragnarok?

A expansão adiciona o Conflux, um modo solo roguelite, o sistema de Master Traits com três caminhos de especialização por personagem (Insight, Essence e Crux), summons equipáveis com uma mecânica nova chamada Primal Burst que permite controlar diretamente o monstro invocado, além de seis personagens jogáveis inéditos.

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